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Morte e Vida Severina (Auto de Natal Pernambucano) é sem dúvida a obra-prima de João Cabral de Melo Neto. Dentro de suas páginas, o poeta desenvolve a condição do retirante severino, aquela estranha e distante entidade cuja existência é negada uma e outra vez, e que parece estar apenas em contato com a morte. Tal condição, entretanto, não é totalmente passiva. Cabral mostra que também pode ser entendido a partir de uma posição de confronto. O severino representaria assim aquela subjetividade subalterna que se insere nos espaços do Eu hegemônico para questioná-lo, para desafiar suas pretensões de homogeneidade. Nesse sentido, o ambiente geográfico do retirante sertanejo será abordado para analisar sua essência como um sujeito-que-não-é. A forma como a região do Sertão e seus habitantes foram percebidos ajudará a posicioná-los na dicotomia "civilização versus barbárie". Com essas informações, finalmente, será possível ver como o autor subverte a imagem do retirante e o faz abraçar sua condição de criador de um significado inesperado e fundamental.