XVII Congress of the Brazilian Studies Association

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O Resgate de Wahutedew’á e o reflorestar epistemológico no tempo em A terra dos mil povos

Thu, April 4, 4:00 to 5:45pm, Aztec Student Union, Union 1 – Student Lounge

Abstract

Estima-se que em 1500, ano da chegada dos portugueses à América, havia uma população de 2.431.000 de habitantes ocupando as terras que hoje conhecemos como Brasil. Esses povos tinham uma cultura própria cuja cosmologia foi destruída e apagada ao longo do tempo por um violento processo de colonização. Mesmo que grupos inteiros tenham sido dizimados, muito de sua influência ainda está viva na cultura brasileira. Essa influência pode ser encontrada no vocabulário, na culinária e até em práticas religiosas. Com o objetivo de resgatar narrativas e saberes ancestrais de diversos povos originários, Kaká Werá Jecupé lançou A terra dos mil povos (1998), obra que mescla elementos historiográficos, míticos e narrativas orais próprias dos mil povos que o título exalta. Esse trabalho tem como objetivo identificar as concepções de tempo dos povos indígenas apresentados em A terra dos mil povos e mostrar como esse conceito foi empregado de forma a preencher o vazio epistemológico deixado pelo processo de colonização que impôs suas próprias visões de temporalidade como uma das ferramentas de dominação dos povos originários. Para tanto, será criado um diálogo entre teóricos decoloniais, pensadores indígenas e a obra de Jecupé, bem como sua fortuna crítica. No decorrer do texto, esse resgate de saberes será chamado de reflorestar epistemológico, termo pensado durante o processo de escrita deste trabalho

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