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Nas últimas décadas, as discussões acerca das populações indígenas no Brasil vêm se intensificando, incluindo discussões acerca do papel de antropólogos em apoio aos povos indígenas. Este trabalho pretende analisar os romances Nove Noites (2006), de Bernardo Carvalho, e Rio Acima (2016), de Pedro Cesarino, observando de que forma as duas obras resgatam o tema da viagem, e como propõem novas representações do antropólogo e dos indígenas no contexto da chamada virada etnográfica (Klinger, 2012). Na contemporaneidade, o tema da viagem tem sido explorado por meio de tratamentos que enfatizam a dimensão subjetiva da viagem e o contato com indígenas como experiência transformadora. Nesse sentido, escritores como Carvalho e Cesarino têm lançado mão de formas híbridas, que transitam entre a ficção e a etnografia, dentro de um movimento que a filósofa argentina Josefina Ludmer chamou de escritas pós-autônomas (2013). A figura do antropólogo, durante muito tempo vinculada à objetividade científica e à autoridade intelectual, em oposição à figura subalternizada dos indígenas, deu espaço a representações que enfatizam a dimensão humana do trabalho de campo e o contato como experiência radical de transformação. Carvalho, ao narrar a história do suicídio de um antropólogo estadunidense no interior do Brasil, e Cesarino, ao contar o retorno de um antropólogo à Amazônia para recolher a parte final de um mito indígena, constroem narrativas que colocam em xeque as representações comumente associadas ao etnógrafo e aos indígenas.