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Neste trabalho se apresentam reflexões resultantes de experimentações coletivas realizadas por ocasião do Ciclo de Ficção Científica: Curta-Circuito do Antropoceno. Mergulhado no “apocalíptico” clima pandêmico e político do Brasil de 2021, o ciclo (realizado de forma remota e síncrona) foi organizado a partir da seleção de curtas-metragens que, transcorrendo em temporalidades e lugares diversos, desenvolvem sua narrativa após a ocorrência de um evento catastrófico, permitindo assim orientar os debates – e a imaginação - para um tema escolhido, disparador de olhares críticos e ecologicamente sensíveis para a compreensão dos graves problemas do presente. Em diálogo com Anne Tsing e Isabelle Stengers, argumento que o cinema de ficção científica (FC), sobre futuros distópicos, constrói seus mundos (aparentemente) ficcionais arruinando imageticamente as paisagens multiespécies e elevando as ruínas do Antropoceno ao status de protagonistas. Ao fazer esse movimento especulativo ancorado nos efeitos geológica e ecologicamente destruidores do capitalismo, nos aproxima de olhares e sensibilidades capazes de pôr em evidência as ruínas reais do presente. Por sua vez, a noção de gesto especulativo proposta por Stengers, entendido como um gesto que aposta na possibilidade de dar ao que nos une o poder de nos fazer pensar juntos, nos permite conceber a FC como uma ferramenta poderosa para o despertar uma imaginação ecológica compartilhada capaz de idealizar, de forma coletiva, novas formas de enfrentamento das catástrofes que povoam os tempos presentes.