XVII Congress of the Brazilian Studies Association

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“Somos negras guerreiras”: a performance insurgente de uma artista de periferia contra a cronopolítica racista brasileira

Thu, April 4, 11:00am to 12:45pm, Aztec Student Union, Union 1 – Student Lounge

Abstract

Este trabalho tem como objetivo analisar as performances de uma artista negra independente, moradora de periferia no Rio de Janeiro (Brasil), durante a pandemia de Covid-19. Situados em uma perspectiva interdisciplinar que aproxima as Ciências Sociais e a Linguística Aplicada (LA), os autores buscam compreender como a obra musical dessa artista mobiliza narrativamente a memória ancestral como instrumento tático de resistência do povo negro – mais especificamente da mulher negra – na estrutura fortemente estratificada e distintiva da sociedade brasileira. Em diálogo com intelectuais negras brasileira como Leda Maria Martins e Lélia Gonzalez, os dados têm indicado um alto grau de reflexividade crítica dessa artista sobre sua identidade social e seus lugares de pertencimento. Como corpus da análise, mostramos como suas composições musicais envolvidas pelo gênero musical do samba possibilitam a organização de signos da cultura africana na contemporaneidade, substanciando interpretações que podem ser entendidas como performances periféricas insurgentes, em resposta às lógicas de opressão marcadas pelo racismo e pelo sexismo. Essas performances manifestam-se dentro de um cronotopo periférico que traz a memória de luta e de protagonismo do povo da diáspora negra no Brasil, em contraposição ao que o filósofo Charles W Mills definiu como uma cronopolitica do tempo racial das nações modernas – ou seja, uma temporalidade construída por uma perspectiva linear, branca e eurocêntrica. Por fim, o texto reflete sobre como essas performances possibilitam a construção de saberes e a ressignificação de sentidos sobre populações historicamente subalternizadas em sociedade estruturadas social e economicamente pelo racismo como a brasileira.

Authors