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O modelo de educação construído na Idade média e trazido com a expansão ibérica para a América Latina e Caribe foi aplicado aos indígenas na primeira metade do séc. XVI, articulando, intimamente, colonização, catequese e educação. O trabalho educativo no contexto da época colocava-se na lógica de domínio colonialista das metrópoles sobre terras e povos que viviam neste território continental, hoje denominado América Latina e Caribe. Em meio ao processo contraditório de colonização, escravização e catequese, as populações indígenas da época - estimadas em cinco milhões de pessoas, divididas em mais de mil nações (ou povos) diferentes -, tiveram suas culturas e idiomas negados; além da mortandade elevada que causou o fim de muitas nações e culturas nativas. Neste ambiente, missionários como José de Anchieta, por serem desfavoráveis à escravização dos índios, tiveram conflitos com conquistadores, caçadores de índios. Tanto na parte espanhola como na portuguesa, a escravidão indígena gerou atritos com alguns religiosos, mesmo que esses atuassem em nome das coroas de Portugal e Espanha, que por sua vez consideravam a cristianização um instrumento útil à colonização. Porém, em meio a esse processo contraditório de cristandade colonial de combate à contra-reforma protestante, constituiu-se o modelo educativo colonial serviçal à dominação colonizadora no Brasil e nos demais países da América. O presente estudo tem como foco a obra catequético-educativa do Padre José de Anchieta que veio para o Brasil em 1553, embora tivesse participado da fundação do primeiro colégio jesuíta no Brasil, São Paulo de Piratininga, sua ênfase foi a educação catequética fora do ambiente escolar, diretamente com os grupos indígenas. Conclui-se que a catequese jesuítica trouxe no seu bojo o atrelamento ao projeto colonizador, contribuindo efetivamente para estabelecer as bases de uma educação colonizadora. E, na busca de superação das heranças coloniais, ancora-se a opção por uma educação libertadora, na perspectiva da descolonialidade.