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Há uma sensação na sociedade brasileira, em algum grau recorrente, mas ultimamente muito visível nos diferentes meios de comunicação, de que as trabalhadoras domésticas estariam desaparecendo. Neste artigo, nosso argumento é o de que é menos um desaparecimento e mais uma alteração nas formas como essa ocupação é exercida. Para compreender a realidade do trabalho doméstico atualmente no Brasil, é preciso investigar continuidades, mudanças e desafios. Nesse sentido, em termos de continuidades, analisaremos a inserção da mulher no mercado de trabalho em dois polos opostos, sendo o que corresponde ao serviço doméstico o mais precarizado e fragilizado no que diz respeito à proteção e à regulação. Em termos de mudanças, refletiremos sobre as modificações na Constituição do país por conta da chamada “PEC das Domésticas” e suas consequências sociais e simbólicas. E, ainda, observaremos as transformações dessa atividade em relação ao aumento do número de “diaristas”. Em meio a essas mudanças e continuidades, caberá avaliar se atualmente está havendo uma melhora ou intensificação no processo de precarização das trabalhadoras domésticas. Balanço esse que nos leva a um conjunto de desafios para cujo enfrentamento políticas públicas e outras ações do Estado poderão certamente contribuir.