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Mário de Alencar é mais lembrado na história do pensamento social brasileiro pelo episódio lamentável de sua eleição para a Academia Brasileira. Machado de Assis intercedeu diretamente como entusiasta de sua candidatura e militante de seu nome entre os “eleitores”. Os lances subsequentes foram: primeiro a desmoralização pública do filho do grande romancista José de Alencar, ridicularizado pela ínfima publicação, entre elas algumas pequenas resenhas elogiosas ao próprio presidente da Academia Brasileira, Machado de Assis; em seguida, a forte depressão que o levou a fugir da vida pública e minou a formação literária do jovem imortal. O episódio menos conhecido de sua vida e relação com Machado de Assis talvez seja o teor da correspondência entre ambos após sua eleição e desmoralização pública. O objetivo desta apresentação é tentar contextualizar esse segundo episódio e a forma como suas discussões nestas cartas sobre arte e estética possuem estreita correlação com um tema recorrente do fim de século XIX, e que moldou as interpretações a respeito da modernização do Brasil naquele período: a melancolia. Machado de Assis, próximo da morte, aconselha e encoraja o jovem intelectual e artista a superar a própria decepção, tentando “curá-lo” a partir de sugestões de leituras e temas para escrita. Porém, além desta intenção principal, Machado e Mário de Alencar, de forma indireta, expõem formas de conexão entre vida e arte, e como suas experiências individuais e interpretações sobre a sociedade brasileira se identificam a certo perfil de arte cultivada naquele período.