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Analisando os requerimentos para obras particulares arquivados no Arquivo Histórico Municipal de São Paulo, entre 1890 e 1920, data limite da documentação, é possível medir o grau de importância que o material de construção Concreto Armado assume. Se, antes, era um material restrito a pequenos reparos domésticos e a aplicações em obras de infraestrutura urbana, com o avanço do século XX ele passa a fazer parte dos Memoriais anexados aos requerimentos, demonstrando sua assimilação e difusão inequívoca em São Paulo. Dessa maneira, esta comunicação procura discutir como esse tipo de fonte permite a construção de uma história urbana em São Paulo. Para além do "objeto" arquitetônico, implicitamente contido ao se tratar de requerimentos para construção de edificações, podemos, também, mapear aspectos da história do trabalho na construção civil, da organização profissional, e, sem dúvida, da história da técnica. Essas abordagens vêm ao encontro das preocupações dos proponentes, e de suas pesquisas, ligadas ao ambiente de São Paulo, e com ênfase no campo da História Social do Trabalho e da Urbanização. Para uma melhor discussão, apresentaremos resultados advindos da documentação atinente aos bairros de Santa Ifigênia e Campos Elíseos, territórios em pleno processo de aparecimento nos anos demarcados, e que foram alvo de estudos da clássica historiografia sobre São Paulo. Nossa pretensão é mostrar como, para além dos estudos consagrados referentes à riqueza do café e da salubridade, a análise desses espaços permite enxergar uma cidade mais plural, e com conflitos demonstrativos de uma atitude cosmopolita. Valendo-se da riqueza metodológica do paradigma indiciário, de Carlo Ginzburg, pretendemos mostrar como o concreto se torna um "índice" privilegiado para essas preocupações apontadas.