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Nesta comunicação tenho como objetivo dar continuidade aos estudos sobre o jornalismo político de Carlos Castello Branco como intervenção na vida pública, investigando especialmente os caminhos propostos para a democratização. A “Coluna do Castello”, publicada no Jornal do Brasil, era uma das colunas políticas mais prestigiadas da grande imprensa, lida por autoridades civis e militares, por intelectuais e políticos de oposição, assim como por analistas dos serviços de informação. Durante a ditadura, Castello se dedicou à crônica da política institucional e à afirmação dos direitos políticos, mesmo no auge do fechamento do regime, quando as instituições políticas pareciam irrelevantes. Nos anos 1970, sempre em diálogo com o governo, questionava o adiamento do retorno ao Estado de direito e contestava o argumento da necessidade de restringir os direitos políticos em nome da segurança nacional. Para Castello, o caminho para a democratização era a via institucional, argumentava que era preciso permitir o funcionamento das instituições de representação política, compreendendo tanto o poder legislativo e os partidos políticos, como os sindicatos e o movimento estudantil. Em contraste com o discurso do governo que condenava como “agitação” as atividades políticas, o jornalista elaborava um discurso positivo sobre a mobilização política. No entanto, defendia uma transição pela via da conciliação. Em suas crônicas, a conciliação se configura como proposta política, não por insuficiência das instituições, mas como uma alternativa política construída por lideranças moderadas através das instituições.