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Esta comunicação tem como objetivo analisar o sequestro do embaixador norte-americano no Brasil, Charles Burke Elbrick, em 1969, por setores da esquerda armada. A investigação desse episódio está relacionada à necessidade de pensar não o evento do sequestro em si, mas as mudanças sociais e políticas de longo prazo e alcance, especialmente suas implicações para o processo de fechamento e/ou democratização do regime civil-militar. Boa parte da historiografia que tem se debruçado sobre o estudo da ditadura brasileira compreende este sequestro a partir de uma mesma chave explicativa: o episódio teria sido a mais espetacular e ousada ação da esquerda armada contra o regime por se tratar, segundo essa visão, do representante diplomático dos Estados Unidos e pelo desgaste que teria conferido aos militares. Nesse sentido, ao mesmo tempo em que esse episódio é “reverenciado” pela ousadia e ineditismo, há certo silenciamento do que ele de fato representou não apenas no âmbito interno, mas, sobretudo, para as relações entre Brasil e EUA e para a compreensão, que parece fundamental, do alcance da figura de Charles Elbrick no interior da política norte-americana. A ideia, portanto, é inserir esse sequestro num quadro mais geral de abordagens, ressaltando, por exemplo, como o sequestro reconfigurou as tensões internas de ambos os países e a imagem do regime civil-militar brasileiro nos Estados Unidos.