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Mário de Andrade afirmou em Música de feitiçaria no Brasil que “A música é uma força oculta, incompreensível por si mesma”. Um tema recorrente de sua produção poética, folclórica e ensaística é o dos limites da transposição das formas populares de expressão a um regime culto - transposição que, não obstante, constitui o cerne de seu projeto de arte nacional. Seus esforços de produção de uma documentação e de exame crítico dos recursos expressivos populares à disposição do artista moderno e brasileiro revelam, na exposição desses limites e dificuldades, não apenas uma atitude ainda hoje produtiva de reflexão teórica e estética, mas também focos de atenção produtivos a análises antropológicas e etnomusicológicas de diferentes repertórios ditos populares. Proponho recuperar aqui alguns dilemas da transcrição do evento musical, acompanhando alguns itinerários que ele percorre por entre música, dança, improviso, corporalidade e erotismo.