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Por meio de texturas sonoras, a proposta segue o princípio de que estranhamentos e compreensões são equivalentes, no interior do que nomeamos de uma escuta desarmada. A escuta desarmada não discrimina, teórica e metodologicamente, Literatura e Cultura Oral, propondo ambas como fruto, tanto do mesmo universo de sentido quanto de formas de vida similares. Frutos de um mesmo universo de sentido, porque o Sertão está em todo o lugar e frutos de formas de vida similares, porque a literatura escuta a cultura oral que, por sua vez, escutou (e escuta) as emanações sonoras de seu habitat. No caminho apontado por Marilia Librandi-Rocha, a escuta desarmada parte da noção de uma escrita de ouvido, encontrando na Cultura Oral uma origem espiralada, que, justamente, por transcender a letra no papel, nos possibilita imergir em seu Umwelt (entorno). O encontro entre a obra literária O Recado do Morro de Guimarães Rosa e o ritual de Coroação de Reis Congo, expressa uma simbiose sonora afro-luso-brasileira, que pode ser percebida por meio da sobreposição de sonoridades genuinamente híbridas.