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Virtual Exhibit Hall
Este trabalho discute os efeitos da implementação de um dispositivo de oficina junto ao Setor de Dor e Cuidados Paliativos de um hospital público no sul do Brasil. O dispositivo, intitulado Ateliê Jardim de Histórias, tem por objetivo ampliar condições narrativas dos sujeitos que sofrem de dor crônica. Parte-se da hipótese de que o oferecimento de superfícies de inscrição para a escritura de histórias de vida permite significar episódios traumáticos que, quando não enunciados, intensificam processos orgânicos geradores de um estado corporal significado como dor. Os encontros do Ateliê acontecem quinzenalmente e vem se desdobrando há três semestres. A cada encontro, através do oferecimento de uma superfície de inscrição que dê suporte à fala, à escrita ou à produção de imagens, reitera-se o convite para que se contem histórias. Ao convite, os participantes tem respondido com entusiasmo narrando o ponto em que na sua própria história localizam o início de sua dor bem como as perdas que sofreram. Há três elementos que emergem da experiência no Ateliê e que têm constituído uma agenda de discussão com os trabalhadores do Setor: 1) Instauração da transferência: tempo necessário para a produção de um giro discursivo: do escutar ao falar; 2) Validação do relato da dor: o encontro com pessoas que validem a história de dor como real abre a possibilidade de pensá-la num registro que inclui o orgânico mas não se restringe a ele; 3) Luto: as histórias narradas tem em comum a vivência de perdas ou da sensação de sua iminência.