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Nenhum dos artistas visuais brasileiros de passagem pelos Estados Unidos se declarou exilado ou se manifestou publicamente em oposição ao regime militar, o que não os impossibilitou de serem reconhecidos pelo meio artístico como tal. Consideravam com cuidado a repercussão que qualquer declaração poderia atingir, sobretudo porque alguns suspeitavam das atividades de vigilância sobre os brasileiros no estrangeiro, assim como dependiam da liberação de seus passaportes pelo Itamaraty. Puderam, então, mesmo durante o período vivido no exterior, retornar ao Brasil. Alguns, inclusive, como Amílcar de Castro, voltaram para realizar exposições. Assim, o uso do termo “exílio” mostra-se aqui problemático justamente porque esse grupo de artistas deixou o país legalmente sem o impedimento do retorno ou então usufruindo de bolsas concedidas pelo próprio governo brasileiro. No entanto, apesar destes fatores, deve-se considerar que a ditadura aumentou o fluxo dos artistas para o estrangeiro por ter feito uso de mecanismos regulatórios de exclusão e de restrição de participação na esfera pública. Portanto, para o estudo dos artistas visuais que saíram do Brasil nas décadas de 1960 e 1970 o mais apropriado seria a utilização da expressão “exílio artístico”. Com isso, é possível observar matizes histórico-políticos desse fenômeno e também as condições de imaturidade do sistema da arte naquele momento. Na apresentação serão igualmente discutidas as especificidades estéticas dos trabalhos realizados durante a permanência nos Estados Unidos.