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A literatura de análise de políticas públicas tem avançado em compreender a importância do papel das burocracias nos resultados das políticas públicas. Para esta literatura, os burocratas alteram ações implementadas na medida em que exercem discricionariedade. Uma das formas de explicar exercício da discricionariedade, à qual este trabalho se filia, considera que as políticas são marcadas por múltiplas redes de atores internos e externos ao Estado capazes de alterar seu desenho e resultados. Assim, os resultados das políticas poderiam ser explicados considerando-se as interações estabelecidas pelos burocratas, ou seja, redes e interações se tornam variável explicativa dos resultados das políticas. Este trabalho apresenta uma proposta que avança em analisar como as redes sociais dos burocratas podem alterar suas atuações – ou seja, como as políticas se constroem de forma dinâmica a partir de processos interativos entre burocratas e outros atores. Para tanto usaremos o caso dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS), do Programa Saúde da Família. Os ACS são burocratas que trabalham no local em que residem. Assim, em seu trabalho, coexistem múltiplas afiliações relacionais pessoais e profissionais. A primeira hipótese aqui colocada é de que, na medida em que estes agentes lidam com esta multiplicidade de relações em seu trabalho, o exercício de discricionariedade é altamente influenciado pelas redes sociais que possuem. A segunda hipótese é que a análise das políticas implementadas pode ser feita, portanto, a partir da observação das interações estabelecidas, considerando-se as relações existentes e os repertórios acionados no momento da implementação.