Individual Submission Summary
Share...

Direct link:

Tesouras para Todas: Gender, Sexuality and Race in Brazil’s Protest Movements

Thu, May 28, 4:00 to 5:45pm, TBA

Abstract

Os levantes, manifestações, e protestos que apareceram na cena política brasileira a partir 2013 incluem autonomistas, anarquistas, neo-leninistas e troskystas (de todas as colorações imagináveis) e tem múltiplos pontos de interseção e influencia mutua—mas uma relação nem sempre tranquila—com diversos setores do campo feminista atual, especialmente com os mais variados setores do chamado “feminismo jovem”. Um amplo leque de feministas jovens se identificam com o “faça você mesmo”, o horizontalismo e a radicalidade política dos anarco-autonomistas que prevalecem nos movimentos/protestos/levantes globais dos 2010s. E outras tantas, como as Mulheres em Luta do PSTU, comungam ideologicamente com a variedade de agrupações políticas que hoje se colocam à (extrema) esquerda do PT.

Mas a inserção feminista nesses movimentos “mistos” (compostos por homens e mulheres) tem gerado inúmeros paradoxos que, para aquelas com consciência histórica, se assemelham demais às relatadas pelas suas contrapartes—também maioritariamente jovens nos primórdios dos feminismo: “parece coisa dos anos 70”. “Tesouras para Todas” é um manual que responde a essa contradições, oferecendo textos “how-to” para lidar com “a violência machista nos movimentos sociais”. Publicado inicialmente na Espanha por mulheres ligadas aos movimentos anarco-punk, autonomistas, de squat, etc., que serviram como pano de fundo para os Indiganados/as, ele é traduzido ao português em 2013 por jovens ativistas que começam a vivenciar paradoxos semelhantes. Mesmo que apontando a presença significativa de “focos feministas” nos movimentos de protesto, muitas delas denunciam “a resistência dos caras” ao feminismo, insistindo que um “questionamento do ponto de vista de gênero, da postura política, não existe, então é só ‘apoiamos, apoiamos’ porque é bacana, dá uma imagem de igualdade, tal, mas é retórica, infelizmente é retórica”. As questões feministas, alegavam muitas, só se politizam na marra, muitas vezes em consequência do enfrentamento direto com assedio ou outras violências sexuais no interior desses movimentos de protesto.

Com base em entrevistas com mais de 80 jovens ativistas em Belo Horizonte, Bahia, Florianópolis, São Paulo e Rio de Janeiro entre 2009 e 2014, o trabalho analisa as relações entre as feministas, e alguns ativistas de outros movimentos ‘libertários’, como os movimentos negros e o LGBT.

Author