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O presente trabalho tem, por objeto de análise, as práticas de mobilidade de indivíduos que vivem em situação de rua na cidade de Belo Horizonte (Brasil). Entendemos, como “população em situação de rua”, aqueles indivíduos que pernoitam em espaços públicos ou instituições de albergamento e, para os quais, as ruas figuram como lócus principal de reprodução da vida diária. Nosso objetivo é explorar alguns dos elementos que compõem as singularidades da experiência desses sujeitos no espaço urbano, tendo a mobilidade como foco principal. Foram realizadas entrevistas em profundidade com indivíduos em situação de rua da cidade de Belo Horizonte e os perfis de mobilidade dos entrevistados foram considerados a partir de um modelo de análise que considera como variáveis os trajetos que eles realizam cotidiano pela cidade; as repetições e as variações das atividades que compõem suas rotinas; e a economia do tempo diário particular de cada um. Identificamos que a mobilidade diária dos entrevistados toma a forma de um circuito que tem o local de dormir como ponto de saída e chegada. Tal circuito é desenvolvido em pontos difusos da cidade e nos quais os indivíduos em situação de rua realizam suas atividades cotidianas (como higiene e alimentação). Conclui-se que os equipamentos sociais que atendem a este público configuram-se como “nós” que, com maior relevância, compõem estes circuitos, atuando tanto como espaços de permanência, mas também como dispositivos que promovem a circulação destes sujeitos pela cidade.
Palavras-Chave: População em situação de rua - Homelessness – Espaço urbano - Mobilidade