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As discussões acerca da conveniência ou não de se construir, em São Paulo, no início do século passado, um teatro lírico nas dimensões do Teatro Municipal, não polemizaram a respeito da sua viabilidade e nem tampouco de qual seria a sua função cultural. O que contava era o monumento que a cidade ganharia: um símbolo político e cultural, tanto quanto estético, a serviço da modernidade. Sua construção respondia aos anseios da elite paulistana de ver a cidade equipada com um grande teatro lírico, à altura do lugar que ela ocupava no país, como representante de um centro urbano das primeiras indústrias nacionais e dos barões do café. No século XIX, vários teatros são construídos na cidade. No entanto, nenhum deles comportava a vinda das grandes companhias líricas e teatrais e, portanto, não respondiam aos anseios da elite paulista que circulava pela Capital da República, Buenos Aires e também pela Europa. Com a inauguração do Municipal, em 1911, as temporadas líricas anuais eram organizadas a partir da vinda das Companhias Líricas em tourneé pela América Latina, sobretudo o Teatro Colón, de Buenos Aires. A esta forma de compreender o papel de um aparato como este, opuseram-se alguns intelectuais, liderados por Mário de Andrade, que se incomodavam com a maneira pouco democrática com que o equipamento cultural público mais importante da cidade era utilizado. Esta comunicação pretende explorar o discurso destes intelectuais enquanto narrativas de um projeto de identidade cultural da sociedade em questão.