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Os estudos sobre a inserção laboral das imigrantes brasileiras no mercado de trabalho português apontam para visibilidade desses sujeitos no setor da limpeza, cuidado, restauração, estética e nas atividades de empreendedorismo. Mais ainda, ressaltam que, via de regra, a experiência laboral das brasileiras em Portugal é marcada principalmente por dinâmicas de segregação sexual e étnico-racial, inferiorização e opressão. O baixos nível de qualificação profissional, associado ao pertencimento à classes sociais inferiores, a falta de regularização na documentação migratória e a precariedade inerente aos setores em que estão inseridas tem sido apontadas como as principais causas para essa modelo de inserção. Contudo, análises feministas críticas (Selister, 2014; Padilla, 2012; França 2010) tem dado visibilidade a existência de um imaginário colonial que cria a mulher brasileira na sociedade portuguesa como um sujeito subalterno monolítico e homogêneo marcado pelo estereótipo da hiperssexualização, erotização e exotização, independente do setor laboral que atuem. Neste sentido, à luz da literatura existente sobre a inserção laboral das imigrantes brasileiras em Portugal e reconhecendo o sector acadêmico científico como um segmento qualificado do mercado de trabalho, objetiva-se analisar 10 entrevistas em profundidade realizadas com brasileiras investigadoras inseridas em centros de investigação portugueses, tencionando investigar até que ponto a experiência profissional dessas mulheres– brasileiras qualificadas, com o estatus migratório regularizado e, via de regra, pertencentes a uma classe social elevada – aproxima-se ou distancia-se da experiência das brasileiras inseridas em trabalhos precários. Almeja-se dar visibilidade a como os mecanismos de dominação colonial e às dinâmicas de interseccionalidade articulam-se e contribuem para reforçar a segregação e opressão indiferentemente do setor laboral em que as imigrantes brasileiras estão inseridas. Independente de suas características pessoais – qualificação, classe social, etnia, raça ou estatuto migratório – as mulheres brasileiras imigrantes em Portugal encontram-se envoltas em uma rede onde distintos dispositivos de inferiorização e subalternização que se apresentam como potentes obstáculos para a consolidação de uma inserção social digna.