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O tema deste paper trata de uma questão ainda pouco estudada pela historiografia da questão agrária no Brasil. Refiro-me à atuação das entidades patronais do mundo agrário, como a CNA (Confederação Nacional de Agricultura) e a SNA (Sociedade Nacional de Agricultura), no apoio da repressão aos movimentos de trabalhadores rurais no contexto político que levaria à eclosão do Golpe Militar de 1964. Pouco sabemos sobre a articulação de setores ligados ao mundo rural dos grandes proprietários, empresários e negocistas. Sabe-se com segurança que essas entidades (CNA e SNA) apoiaram o movimento militar que depôs o Governo João Goulart e a conseqüente repressão das forças de esquerda no país, com o intuito de impedir a efetivação de uma Reforma Agrária de esquerda. Ao mesmo tempo, convencionou-se pensar que a relação entre a Ditadura e as entidades ruralistas se caracterizaram por uma inabalável harmonia. Mas cabe indagar como tais entidades se mobilizaram para neutralizar outras demandas apresentadas pelos trabalhadores rurais, como a efetivação das leis trabalhistas e a liberdade sindical. Assim, a análise se baseará, além da leitura da historiografia, nos editoriais da grande imprensa, documentos sindicais e relatórios da polícia política. A hipótese a ser verificada é que não obstante o apoio inicial das entidades patronais ao regime, e a comunhão de propósito na tarefa de debelar os movimentos sociais dos trabalhadores, outras questões como a necessidade de neutralização das entidades trabalhistas não foram diretamente acatadas pelo governo, provocando um progressivo embate entre os dois setores.