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Esta comunicação parte de uma explicação que foi corrente entre os contemporâneos sobre as causas da Cabanagem. A Cabanagem foi uma das maiores revoltas do Império do Brasil e ocorreu entre 1835 e 1840 na extensa província do Grão-Pará, região que hoje identificamos como Amazônia. A intensa participação de indígenas nessa revolta, patente em cartas de estrangeiros e sublinhado por autoridades locais, disseminou a explicação de que a Cabanagem era uma guerra de raças, com o objetivo último de exterminar todos os brancos.
Apesar de ser aceita e repetida inclusive na Corte, a explicação da Cabanagem como uma guerra de raças encontrou resistências tanto entre os contemporâneos como em pesquisas mais recentes, que entendem a "guerra de raças" como uma forma de esconder razões políticas mais profundas da revolta ou justificar a intensificação da repressão.
Esta comunicação parte da convicção de que a Cabanagem não pode ser resumida a uma "guerra de raças", mas que esta descrição só pode ser aceita pelos contemporâneos porque de fato havia um conflito na província no qual ser "índio", "negro" ou "branco" fazia toda diferença: tratava-se do fato de que, com base em leis coloniais, os indígenas do Pará podiam ser empregados em trabalhos compulsórios para o Estado e para particulares. Buscamos demonstrar que no período imediatamente anterior à Cabanagem as tensões em torno dessa questão eram crescentes: de um lado, buscava-se garantir essa que era a maior mão de obra da província, enquanto leis do Império enfraqueciam os dispositivos para recrutar esses braços.