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O presente trabalho, fruto de um doutorado em andamento, analisa um momento de efervescência na produção de canções em São Paulo e a sua relação com a indústria musical brasileira. Nosso estudo dedica-se à análise da produção musical reunida sob o rótulo de “Vanguarda Paulista”, cujos artistas, na década de 1980, reuniam-se no teatro Lira Paulistana, inaugurado em 1979. Fundado por estudantes universitários, o teatro aglutinou diversos artistas (também estudantes universitários) que não encontravam espaço nas grandes gravadoras. Portanto, o teatro ficou conhecido como um espaço de promoção da música independente, das canções que não circulavam nos meios de comunicação de massa. Artistas reunidos pelo Lira Paulistana foram celebrados pelos jornais como grandes renovadores da canção brasileira, mas nunca encontraram inserção nas grandes gravadoras, nem exposição nos meios de comunicação de massa. Nos defrontamos com a seguinte questão: quais são as margens de liberdade criativa existentes na indústria musical, e qual o papel que espaços independentes como o Lira Paulistana podem exercer na ampliação dessas margens? Nesse sentido procuramos investigar a função do teatro Lira Paulistana na promoção da Vanguarda Paulista, posto que o teatro consolidou-se, ainda que por curto tempo, como circuito paralelo ao das grandes gravadoras. Porém, a rápida extinção do teatro e o fracasso desses artistas em inserir-se nos meios de comunicação de massa apontam-nos os limites de uma tentativa independente. O trabalho enquadra-se na perspectiva teórica de Howard S. Becker, pois abordaremos a relação entre teatro, artistas e público com o conceito de mundos da arte.