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Esta comunicação analisa as referencias à Argentina em escritos de Quintino Bocaiúva, Rui Barbosa, Sílvio Romero e Joaquim Nabuco nas duas primeiras décadas republicanas. Após a Proclamação de 1889, a política externa brasileira experimentou uma nítida orientação americanista (na qual a aproximação com a Argentina ganhou destaque), reforçada, a partir de 1902, por um cauteloso suporte ao pan-americanismo professado pelos Estados Unidos. Na política interna, os conflitos violentos da década de 1890 foram substituídos pela estabilização do regime e a instalação de uma ordem oligárquica e civil. Os escritos dos referidos autores, comparados aos de outros membros da mesma geração, como José Veríssimo e T. A. Araripe Jr., instauraram um novo paradigma comparativo, no qual a história política e as instituições estrangeiras foram convocadas como modelos para julgar a situação brasileira e propor alternativas ao futuro do país. Percebe-se claramente uma “cartografia” neste paradigma comparativo, na qual alguns casos nacionais e regionais (a América Latina, por exemplo) são mobilizados na discussão de determinados assuntos (direitos constitucionais, sistema educacional, leis de imigração, finanças públicas, forças armadas). A Argentina adquire um ambíguo papel modelar, sob o influxo das categorias identitárias a ela atribuídas e da conjuntura política interna e externa, o que conforma um debate nas entrelinhas sobre o devir da nação. Seguindo os temas, as comparações e as categorias e conceitos utilizados nos comentários é possível perceber uma “retórica da semelhança” em relação ao país vizinho específica à geração de 1870 após a queda do Império.