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Davi Kopenawa e Bruce Albert realizam juntos A queda da céu. Palavras de um xamã yanomami. Considerado uma profecia, este livro de autoria complexa, dá conta de um mundo (não só yanomami) visitado, colonizado, catequizado, invadido, defendido, ameaçado. O outro, aí, é o napë, palavra que passa a referir-se ao conceito de branco, além de inimigo e estrangeiro.
A partir da relação entrevista, proponho ler A queda do céu como performance que visa a hospitalidade vislumbrada por Jacques Derrida, em “Hostipitality”. Uma hospitalidade ainda desconhecida, que dissolveria o paradoxo mesmo que a constitui: pois aquele que é hospitaleiro deve ser o dono da casa, o proprietário, aquele que tem direito a um território e que, assim, o abriria ao outro. Minha hipótese é de que a hospitalidade porvir de Derrida seja possível hoje para um yanomami e na relação que ele impõe a quem acorda, aos que dizem um tipo de “sim” no ato de ler A queda do céu. O porvir da hospitalidade se liga aqui, principalmente, ao umbral “intransponível” de que a hospitalidade nunca pode efetivamente existir porque ela demanda a animosidade que as posses quase sempre impõem. Com Kopenawa acontece distinto posto que ele é anfitrião num território que não é dele. Não é, portanto proprietário, não representa o paradoxo daquele que para ser hospitaleiro deve primeiro ser quem poderia expulsar o outro. Ademais, a profecia em A queda do céu, com sua origem múltipla, humana e não-humana, corrobora uma autoria que desmente a propriedade.