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O governo brasileiro tem concedido refúgio para estrangeiros e estrangeiras que tenham sido perseguidos ou que tinham o temor de ser perseguidos devido às suas orientações sexuais em seus países de origem. Essas pessoas são, em geral, homens jovens provenientes do continente africano, em especial da Nigéria, Camarões e Gana. O objetivo desta pesquisa foi analisar as relações sociais estabelecidas por esses refugiados, uma vez que chegam ao Brasil, no que diz respeito a quais momentos explicitam suas sexualidades e em quais situações se mantém o silêncio acerca de seus desejos e práticas homossexuais. A fim de se atingir esse objetivo, adotou-se uma perspectiva etnográfica em São Paulo, a cidade que mais recebe solicitantes de refúgio atualmente no Brasil. Os resultados da pesquisa indicaram que se por um lado há um imaginário de “liberdade” sexual por parte dos refugiados, que na maior parte das vezes estão fugindo não só da homofobia estatal, mas também da homofobia familiar (SCHULMAN, 2010), por outro lado essa “liberdade” não é atingida devido à discriminação que normalmente sofrem dos refugiados heterossexuais. Essas discriminações se dão em diversos lugares, como no mercado de trabalho e nos albergues, e faz com que a maioria desses refugiados que tem que conviver com conterrâneos e outros refugiados heterossexuais, acabem continuando “no armário”. Como afirma Sedwick, o armário continua a ser a estrutura definidora da opressão gay (2007) e isso se aplica também aos refugiados por orientação sexual no Brasil, como indicaram os resultados desta pesquisa.