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Santa Marta - Duas Semanas no Morro e Babilônia são documentários que convidam o espectador a embarcar numa viagem às margens da sociedade. Ambos os filmes partem de um espaço geográfico urbano contemporâneo onde as pessoas que aí vivem são convidadas a contar suas estórias e narrativas, sonhos e aspirações de uma realidade excludente. Eduardo Coutinho age como um coletor de histórias (estórias) e oferece a possibilidade de transportar a audiência para tempos e espaços diferentes. Os morros nestes dois filmes agem também como personagens e margens de uma cidade que não planejou onde morariam aqueles que migraram, construíram e constituíram a cidade do Rio de Janeiro. Escutamos e vislumbramos pessoas que estão cidade abaixo, cidade a fora, cidade a dentro – a cidade.
Nestes dois documentários Coutinho viaja literalmente e metaforicamente no tempo e espaço, transformando e dando diferentes sentidos para a trajetória das pessoas envolvidas nos filmes. Assim como afirma Michel de Certeau, toda história é uma história de viagem, ou seja, uma prática espacial e estas podem assumir diferentes formas. Os filmes traçam “sintaxes espaciais” trazendo a possibilidade de novas conexões e re-significando um lugar histórico e geográfico para seus atores e suas histórias. Descobrimos através dos filmes mais personagens que poderiam fazer parte da terceira margem do rio, que não estão nem plenamente inseridos no centro urbano “desenvolvido” e nem mesmo estão fora deste espaço. São personagens que estão morro abaixo, morro a fora, morro a dentro – o morro.