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Virtual Exhibit Hall
Explorando os processos de criação de identidade cultural na era Pan-Americana (1940 - 1950), analiso a chanchada brasileira Carnaval Atlântida (1952). Examino como este produto cultural dialoga com filmes mexicanos estrelados por rumbeiras cubanas e com a performance de Carmen Miranda em Hollywood. Portanto, a chanchada forja identificações culturais entre o Brasil, os Estados Unidos, o México e Cuba, promovendo uma “pan-americanidade paródica”. Ao mesmo tempo, Carnaval Atlântida promove um fórum sobre a participação brasileira na cidadania cultural hemisférica vis-à-vis estadunidenses e hispanos. Nesta apresentação, concentro-me na análise da performance feminina de atrizes brasileiras e cubanas, baseando-me no conceito da “poética subversiva do quadril” (José Piedras 1997); discuto como sujeitos “colonialmente menos afortunados” podem, através da performance da rumba e seus outros equivalentes neo-africanos (onde incluo o samba e o mambo), “inserir-se no mapa geopolítico e discursivo da mídia” e, portanto, exercer a cidadania cultural no hemisfério. Demonstro que, embora utilizem imitações diretas do modelo hollywoodiano/mirandesco com seu samba “mambado/rumbado” e esvaziados do seu sentido cultural original, a ressignificação da performance ao estilo mirandesco nos filmes latino-americanos recontextualiza o significado do samba, mambo e rumba. De volta ao seu habitat natural e interpretados pelos sujeitos coloniais, os rítmos tornam-se discursos críticos ao tom didático de Hollywood, que relega seus “outros” culturais à qualidade de cidadãos hemisféricos de segunda categoria.