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O governo Trump vem reconfigurando a estratégia comercial dos EUA no campo dos acordos regionais. A revogação do TPP e o desengajamento das negociações com a União Europeia para a construção do TTIP. A postura do novo presidente dos EUA trouxe preocupação aos seus aliados e instabilidade ao sistema internacional, uma vez que o seu antecessor havia buscado fortalecer o papel dos EUA a partir da criação dessas parcerias estratégicas, numa tentativa de compensar o fracasso das negociações no âmbito da OMC. Nesse contexto, a revisão do NAFTA é a proposta mais complicada, pois esta área de livre-comércio está em pleno funcionamento desde 1994. Por isso essa a revisão pressupõe alterar procedimentos e regras já consolidados, mesmo com o descontentamento de setores da sociedade norte americana. Assim, nosso objetivo é discutir o significado dessa renegociação do NAFTA para o governo de Trump. Para isso, analisaremos os discursos de campanha de Trump bem como os proferidos já como presidente, para identificarmos tanto as críticas feitas ao tratado de livre-comércio, como o público alvo dessa estratégia revisionista. Depois analisaremos a proposta apresentada pelo governo dos EUA aos seus parceiros do NAFTA, a fim de verificar em que medida esta se alinha com os discursos proferidos e as promessas de campanha. Por fim, refletiremos sobre os possíveis cenários resultantes dessa renegociação, avaliando os limites da capacidade de barganha e de negociação de cada um dos três governos, com especial atenção as pressões do Congresso dos EUA em relação aos novos termos do acordo.
Roberto G Menezes, Universidade de Brasilia
KARINA LILIA P MARIANO, Universidade Estadual Paulista
Flavio Contrera, Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR)