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O que acontece depois do museu? Uma nação existe sem memória? O Museu Nacional do Rio de Janeiro pegou fogo recentemente, destruindo uma coleção de 20 milhões de objetos. No dia seguinte, durante as buscas, uma descoberta: uma peça, pelo menos, foi salva. O chamado meteorito do “Bendegó”, um enorme bloco de ferro, resistira às chamas. A imagem do meteorito intacto em meio aos destroços circulou nos jornais de todo o mundo.
Nesta fala, pretendo analisar as imagens do meteorito desde meados do século XIX até 2018. Em 1888, às vésperas do golpe republicano, uma das últimas ações do imperador d. Pedro II foi mandar trazer o meteorito para o Rio de Janeiro. A operação envolveu enorme logística para transportar a pedra de mais de 5 toneladas. Seu destino: o Museu Nacional, primeiro museu brasileiro, e espécie de vitrine daquela curiosa nação americana que surgira como império no meio de repúblicas, e que se queria civilizada apesar da escravidão. O “Bendegó” tornou-se símbolo do Brasil império. Uma réplica dele foi enviado para a Exposição Universal de Paris de 1889.
O meteorito do “Bendegó” tornou-se um dos destaques da coleção do Museu Nacional. Atraiu visitantes ilustres, como Albert Einstein. Discutindo desenhos, litografias e fotografias, pretendo discutir os vários significados que este meteorito recebeu, até a imagem final, mais recente, quando o objeto extra-terrestre se transforma no que sobrou do museu, e dos sonhos de civilização da nação.