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Desenhista, pintor, gravador, ilustrador e professor de gerações, João Fahrion (Porto Alegre, 1898–1970) foi dos nomes mais importantes das artes visuais brasileiras ao longo da primeira metade do século XX, tendo sido um dos responsáveis pela modernização das artes e da cultura visual no Sul do Brasil. Sua obra, centrada na figura humana e com inegável apelo decorativo, oferece-nos um curioso amálgama retórico e formal: referências à tradição clássica, ecos decadentistas, fatura expressionista, estilemas art déco. Uma espécie de síntese da sua própria formação, erigida a partir das lições, em Porto Alegre, com o italiano Giuseppe Gaudenzi (1875–1966) e, em Berlim, com os alemães Arthur Lewin-Funcke (1866–1937) e Wilhelm Müller-Schonefeld (1867–1944). Atravessando tudo isso, de forma mais ou menos evidente, a matriz filosófica romântica alemã, que o artista, também ele de ascendência teuta, cultivava desde a infância. A comunicação discute a presença desse espírito romântico e marcadamente oitocentista na obra de João Fahrion, concentrando-se em sua formação e no trânsito de tradições que ele vivenciou.